Parado no carro, esperando o farol abrir, desapercebidamente comecei a observar as pessoas e o movimento na Avenida Paulista. Curioso. Ocorria normalmente como todos os dias, mas curioso. Nunca havia parado pra olhar o ambiente ao meu redor. Nunca havia pensado no tanto que as pessoas - incluindo-me entre elas - trabalham e se estressam por pouco.
A cidade ferve. Transforma-se em monstro: ela prende, engole e digere todos que nela e dela vivem. Sua corriqueira monotonia profunda é cíclica: Medo. Cansaço. Estresse. Consumo. Vício. Infelicidade. Medo.
Faltavam alguns minutos para o meio dia. Decidi, então, sair mais cedo do trabalho e ir para casa descansar um pouco. Manhã corrida. Não queria ter almoço corrido nunca mais. Não queria dormir tarde, terminando a papelada pela madrugada para acordar antes das 6. Enfrentar trânsito?
Vou tirar férias. Não. Trabalhei tanto e por tanto para um mês de férias? Mas nunca! Saio daqui e não volto mais.
Joguei meu pager da sacada do meu apartamento (décimo sexto andar). Rasguei todos os papéis da escrivaninha. Picotei meus cartões e as notas de dinheiro que possuía guardadas em minha carteira. Vesti roupas mais frescas. Montei na bicicleta e pedalei para fora do terror da cidade com uma única preocupação: ser livre.
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